Cerâmica

 

 

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Cerâmica

A

 arte da cerâmica manifesta-se na cultura dos povos desde a mais remota Antigüidade. O estudo das técnicas de fabricação e decoração dos objetos de cerâmica é tido como o "alfabeto" de arqueólogos e historiadores, pois fornece base segura para a reconstrução de muitos aspectos da vida de antigas civilizações.

A cerâmica consiste na fabricação de objetos, tanto utilitários quanto artísticos, modelados em uma pasta composta de argila e de materiais purificadores. A argila é um material plástico, facilmente moldável, que se solidifica sob a ação do calor. Sua composição, que varia de acordo com os locais de onde seja extraída, apresenta certos elementos minerais que determinam a cor, a porosidade e dureza da peça, bem como a temperatura a que pode ser submetida sem que sofra deformações.

Os objetos de cerâmica podem ser lustrados ou esmaltados e dividem-se em três grupos diferentes de produtos - terracota, grés e porcelana - , segundo o grau de cozimento e a composição química do material utilizado.

 

Tipos e técnicas

 

Dentro de cada grupo, e de acordo com a variação da temperatura, obtém-se uma série de produtos diferenciáveis em consistência e aparência. À temperatura de 800 a 1.100o C produz-se uma peça em geral avermelhada, porosa, dura ao tato. É a terracota, cerâmica que parece ter substituído a primitiva, simplesmente cozida ao sol. A variação de temperatura entre 1.100 e 1.300o C dá como resultado matéria mais densa e sem porosidade, dura, lisa e elástica. De 1.300 a 1.500o C obtém-se matéria ainda mais dura, e mais lisa, que pouco a pouco se torna vítrea, até se transformar em porcelana, que é sempre translúcida. O grés é, em última análise, uma porcelana não translúcida.

As porcelanas podem ser tenras ou duras. Tenras são as porcelanas artísticas, cozidas entre 1.200 e 1.350o C; duras, as utilizadas para fins científicos, que requerem temperaturas entre 1.350 e 1.500o C.  Certos historiadores designam como cerâmica de pequeno fogo a terracota; e de grande fogo, a porcelana.

As cerâmicas podem apresentar uma superfície vítrea, capaz de receber decoração. Obtém-se tal aspecto vítreo pelo emprego de silicatos compostos, que se liquefazem entre 600 e 1.500o C, aderindo fortemente ao material subjacente. A temperatura em que se dá a liquefação não pode ser superior à que foi necessária para o cozimento da peça, sob pena de vir esta a se arruinar. Quanto ao aspecto e à qualidade da camada vítrea, dependerão do gosto e da técnica utilizada: seu colorido resulta do emprego de tal ou qual óxido metálico.

Não raro, a aplicação dessa camada vítrea segue-se a um cozimento apenas provisório. O procedimento mais simples de decoração é aquele em que a peça recebe uma só camada vítrea, sob ou sobre a qual se acrescenta a decoração, pintada ou modelada. Quando a decoração é aplicada sob a camada vítrea, as cores utilizadas endurecerão sob a ação do calor. Quando, pelo contrário, são empregados sobre a camada, os procedimentos comuns é o esmalte, que os chineses levaram à perfeição. Quanto à maiólica, lança mão de motivos decorativos aplicados por pincel sobre uma camada vítrea à base de óxido de estanho.

Quando os produtos se resfriam, uma tensão se estabelece entre a cerâmica propriamente dita e a camada vítrea, produzindo-se às vezes rachaduras nessa camada. Tais rachaduras podem ser evitadas, mas se convenientemente realizadas constituem um dos maiores encantos da arte da cerâmica.

História


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