CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAIS TIPOS DE EDEMAS

 

1. Edema Alérgico.

Pode ser generalizado, mas costuma restringir-se a certas áreas, principalmente a face. Instala-se de modo súbito e rápido; por este motivo a pele torna-se lisa e brilhante, podendo também apresentar-se com a temperatura aumentada e coloração rubra. Trata-se de um edema mole e algo elástico.

Geralmente acompanha-se de fenômenos angioneuróticos , e o fator principal na sua formação é o aumento da permeabilidade capilar. Da reação antígeno-anticorpo surgem diferentes substâncias dentre as quais as histaminas e as cininas, que, agindo ao nível capilar alteram a sua permeabilidade. Tal alteração permite a passagem de água para o interstício entre as células.

2. Linfedema.

É o edema resultante do comprometimento do sistema linfático. Suas características dependem da etiologia, tempo de evolução e suas complicações. Em sua fase inicial o linfedema é mole, depressível, frio, indolor e regride com o repouso. O de longa duração costuma ser duro . não depressível, frio, indolor e não regride com o repouso.

O linfedema congênito é o que surge desde o nascimento. Neste grupo se enquadram o linfedema primário congênito propriamente dito, o linfedema por brida amniótica e o linfedema familiar ou doença de Milroy. Acomete qualquer parte do organismo em toda sua extensão ou pode ficar restrito a um membro, podendo estar associado a outras mal-formações como o hemangiomas capilares ou hemangiomas cavernosos. Sua consistência é elástica e depressível, o repouso não reduz significantemente o edema.

O linfedema primário congênito parece ser conseqüência de uma má formação linfática regional que leva à estase linfática.

O linfedema por brida amniótica é o resultante da compressão circunferencial de um membro durante o desenvolvimento intra-uterino. Ao exame físico o paciente apresenta uma área de constricção com hipotrofia e edema elástico da parte distal.

A doença de Milroy (linfedema primário familiar), evolui mais rapidamente que os demais de origem congênita. O membro afetado é sede de surtos freqüentes de erisipela, fica totalmente deformado tomando o aspecto de uma elefantíase.

O linfedema primário precoce costuma aparecer entre os 9 e 15 anos. Atinge com maior freqüência o sexo feminino (10/01). É conseqüente de hipoplasia ou aplasia do sistema linfático superficial. Evolui lentamente com o decorrer dos anos, porém complicações infecciosas, como a erisipela, provocam a deformidade do membro chegando à elefantíase como nos outros tipos de linfedema.

No linfedema secundário a alteração dos vasos linfáticos decorrem da ligadura, secção, resseco ou trombose dos vasos coletores linfáticos. Dos processos infecciosos o que mais freqüente leva à oclusão linfática é a erisipela. Outra doença que pode levar a tal oclusão é a filariose.

O linfedema secundário à safectomia interna, realizada para tratamento de varizes ou para ser usada como ponte em cirurgia de revascularização arterial, geralmente decorre de lesão dos vasos coletores linfáticos que acompanham a veia safena. O edema não aparece imediatamente após a cirurgia mas sim meses depois. Havendo regeneração dos linfáticos o edema regride, caso contrário progredirá lentamente levando à deformidade do membro e incapacidade funcional do mesmo.

O linfedema secundário à alteração dos linfonodos é mais freqüente nos casos de comprometimento dos gânglios linfáticos por neoplasia, primaria ou metastásica. Nos membros superiores é freqüente após a mastectomia com o esvaziamento ganglionar da axila.

Alguns medicamentos como a anfotericina B, podem causar fibrose dos linfonodos e conseqüentemente um linfedema.

Linfedema Primário

Linfedema Secundário por Alteração dos Vasos Linfáticos

Linfedema Secundário por Alteração dos Linfonodos

Congênito

Precoce

Tardio

Pós surtos de erisipela

Pós estase venosa crônica

Pós traumas

Filariose

Iatrogênico

Neoplasias

Fibrose pós-radioterapia

Esvaziamento ganglionar

Tuberculose

Medicamentos

 

3. Edema na Trombose Venosa (Tromboflebite).

Aparece em 80% dos casos de trombose venosa. Localiza-se na região imediatamente abaixo da trombose (quando esta atinge a veia ilíaca ou veia cava inferior pode levar ao edema do períneo, região glútea e membro inferior). É mole, chega a ser intenso, e a pele costuma estar pálida. Em certos casos adquire tonalidade cianótica (devido a estase venosa). Classicamente estas condições são chamadas:

Se dá pelo aumento da pressão hidrostática devido a oclusão do vaso.

Quando há inflamação associada (tromboflebite), o edema se caracteriza por ser localizado, de intensidade leve a mediana (+ a + +), elástico, doloroso, com a pele circunjacente apresentando-se quente, vermelha, lisa e brilhante.

 

 4. Edema Varicoso.

Edema localizado que pode aparecer em indivíduos portadores de varizes.

Localiza-se nos membros inferiores, preponderando em uma ou outra perna; acentua-se com a longa permanência na posição ereta, não é muito intenso (+ a + +); a princípio de consistência mole, porém nos casos mais antigos tende a tornar-se mais duro; é inelástico e com o passar do tempo a pele vai alterando a sua coloração até adquirir tonalidade castanha ou mesmo mais escura. Pode se tornar espessa ou de textura mais grosseira.

5. Mixedema.

É uma forma particular de edema observado no hipofunção tireoideana. Não se trata de uma retenção hídrica conforme ocorre nos edemas de maneira geral. No mixedema há deposição de substância mucopolissacaríde (glicoproteínas) no espaço intersticial e secundariamente uma certa retenção de água. É um edema pouco depressível, inelástico, não muito intenso e a pele apresenta alterações próprias da insuficiência tireoideana.

6. Edema na Cirrose Hepática.

Edema generalizado mas quase sempre discreto(+ a + +). Predomina nos membros inferiores sendo habitual a presença de ascite de maneira concomitante. É mole, inelástico e indolor. Além da hipoproteinemia conseqüente do distúrbio metabólico proteíco, acredita-se que participe de modo relevante na sua formação o hiperaldosteronismo secundário, responsável pela retenção de sódio e água.

A cirrose hepática, carcinomatose peritonial, peritonite tuberculosa e ICC (ver abaixo) estão relacionadas com cerca de 90% dos casos de ascite - presença de líquido seroso em quantidade aumentada na cavidade abdominal.

7. Edema na Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC).

O edema é um dos sinais cardinais da ICC e se caracteriza por ser generalizado com predominância nos membros inferiores. diz-se ser vespertino por ser observado no período da tarde, após o paciente manter-se em pé por várias horas - em doentes acamados a retenção hídrica se acumula na região pré sacra. O edema cardíaco varia de intensidade (+ a + + + +), é mole, inelástico e indolor e a pele circunjacente pode se apresentar lisa e brilhante. Decorre sobretudo do aumento da pressão hidrostática associada à retenção de água e sódio.

Edema Escrotal na Insuficiência Cardíaca Congestiva - É um edema mole, que deixa marca quando comprimido. Pode aparecer ainda na nefrite crônica, na cirrose hepática e na desnutrição grave.

 

8. Edema Renal.

É o observado na síndrome nefrótica, síndrome nefrítica e na pileonefrite. Seja qual for a sua causa apresenta características semiológicas comuns (embora se diferenciem quanto à fisiopatologia). É um edema generalizado, predominantemente facial, acumulando-se de modo particular nas regiões subpalpebrais . É mais evidente no período matutino - os pacientes costumam relatar que amanhecem com os "olhos empapuçados".

Na síndrome nefrótica o edema é intenso (+ + + a + + + +) e se acompanha freqüentemente de derrames cavitários. Já na síndrome nefrítica e na pielonefrite é discreto ou moderado (+ a + +). Além disso o edema renal é mole, inelástico, indolor e a pele circunjacente mantém a temperatura normal ou discretamente reduzida. Na síndrome nefrítica, além do desbalanço glomérulotubular levando àretenção de sódio e água ocorre o aumento da permeabilidade capilar.