6. VULVOVAGINITES


Conceito
Considera-se como vulvovaginite toda manifestação inflamatória e/ou infecciosa do trato genital feminino inferior, ou seja, vulva, vagina e epitélio escamoso do colo uterino (ectocérvice). Quadro Clínico De um modo geral, traduz-se por corrimento (leucorréia), sensação de desconforto hipogástrico, prurido de intensidade variável, dor ao urinar (disúria) e dor ou dificuldade para relações sexuais (dispareunia). Estes sintomas podem aparecer isolados ou associados. Fisiopatologia Proteção por meio de dispositivos mecânicos e biológicos
As vulvovaginites quase sempre são causadas por agentes biológicos (transmitidos ou não pelo coito), mas também podem relacionar-se a fatores físicos, químicos, hormonais e anatômicos que agem, ora de forma predisponente, ora desencadeante do processo. Assim, deve-se mencionar o diabetes, a ingestão de esteróides, os traumas, o uso de lubrificantes e de absorventes internos e externos, como fatores que podem fazer desenvolver-se uma vulvovaginite. A depilação exagerada e freqüente, as roturas perineais, a prática de coito não convencional, e o uso de DIU além dos estados hiper/hipoestrogênicos podem favorecer às vulvovaginites por modificarem a flora vaginal.
Diferenças entre a Secreção Vaginal Fisiológica e a Resultante de Vulvovaginites A cavidade vaginal é fisiologicamente úmida, isto é, contém o produto de secreção das glândulas vestibulares e endocervicais, além da transudação da mucosa vaginal. Este conteúdo vaginal altera-se em decorrência de influências hormonais, estímulo sexual e até do psiquismo, daí a natural variação individual na sua qualidade e quantidade. O profissional de saúde pode diferenciar o conteúdo vaginal fisiológico do patológico por meio dos seguintes elementos:
Etiologia
Os agentes etiológicos causadores de vulvovaginites mais prevalentes em nosso meio são: Gardnerella vaginalis, Trichomonas vaginalis e Candida sp.


6.1. Vaginose bacteriana
6.1.1. CONCEITO E AGENTES ETIOLÓGICOS
É a proliferação intensa de uma flora mista com desaparecimento dos lactobacilos acidófilos produtores de H2O2. A causa provável desta proliferação bacteriana mista ainda é desconhecida. Como agentes etiológicos temos: a infecção causada pela Gardnerella vaginalis (a mais prevalente), Bacteroides sp, Mobiluncus sp, micoplasmas, peptoestreptococos.
6.1.2. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Sinais e sintomas:
6.1.3. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Nota: o diagnóstico final se baseia na presença de corrimento mais um dos seguintes: presença de "clue cells", pH maior de 4,5 e teste da amina positivo.
6.1.4. TRATAMENTO
6.1.5. GRAVIDEZ


6.2. Candidíase vulvovaginal
6.2.1. CONCEITO E AGENTES ETIOLÓGICOS
É uma infecção da vulva e vagina causada por um fungo comensal (Candida albicans, C. tropicalis, C. glabrata, C. parapsilosis) que habita a mucosa vaginal e a mucosa digestiva, crescendo quando o habitat torna-se favorável para o seu desenvolvimento; se apresenta em duas formas: esporo e pseudo-hifa. O ato sexual já não é considerado a principal forma de transmissão, visto que esses organismos podem fazer parte da flora endógena em mais de 50% das mulheres assintomáticas. Os fatores predisponentes da Candidíase Vulvovaginal são: diabetes melitus, antibioticoterapia sistêmica, gravidez, uso de contraceptivos orais, uso de corticosteróides, imunodeficiência, obesidade, uso de roupas justas; regiões com clima quente propiciam a infecção.
6.2.2. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Sinais e sintomas dependerão do grau de infecção e da localização do tecido inflamado, podem apresentar-se isolados ou associados e incluem:
6.2.3. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
6.2.4. TRATAMENTO
Para alívio do prurido (se necessário): embrocação vaginal com violeta de genciana a 2%.
6.2.5. GRAVIDEZ
Extremamente comum no transcorrer da gravidez, poderá apresentar recidivas pelas condições propícias que se estabelecem neste período.


6.3. Tricomoníase genital
6.3.1. CONCEITO E AGENTE ETIOLÓGICO
É uma infecção causada pelo Trichomonas vaginalis (protozoário flagelado), tendo como reservatório a vagina e a uretra. Pode permanecer assintomática no homem e, na mulher, principalmente após a menopausa. Na mulher pode acometer a vulva, a vagina e a cérvice uterina, causando cervicovaginite.
6.3.2. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Sinais e sintomas:
6.3.3. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Para o diagnóstico das infecções genitais baixas, utilizamos comumente o exame direto (a fresco) do conteúdo vaginal. Colhe-se uma gota do corrimento, coloca-se sobre a lâmina com uma gota de solução fisiológica e observa-se ao microscópio, com o condensador baixo.
6.3.4. TRATAMENTO
Sistêmico:
Local:
De preferência deve-se associar os tratamentos local e sistêmico.
6.3.5. RECOMENDAÇÕES
Obs.: Tricomoníase poderá alterar a classe da citologia oncótica; deve-se tratá-la e repetir a citologia após 30 a 40 dias.
6.3.6. GRAVIDEZ
O Trichomonas vaginalis é um protozoário que, com relativa freqüência, causa corrimento vaginal em gestantes. A taxa de isolamento nos recém-nascidos de mães infectadas é baixa (5 a 10%). A gestante deve ser tratada com:
Observações: