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Coldres


Muita gente que se preocupa em selecionar uma boa arma de porte, em aprender seu manuseio e em desenvolver uma boa perícia em seu uso, esquece-se de escolher e comprar um importantíssimo acessório, ou seja, um bom coldre.

O policial necessita portar sua arma diariamente e se não possuir um coldre de qualidade sentir-se-á incomodado e poderá adquirir o hábito de levá-lo em uma bolsa a tiracolo, "capanguinhas" ou embaixo do assento de seu automóvel.

Coldres
Mau hábito porque tira do policial a possibilidade de fazer pronto uso de sua arma. Ela deve ser sempre portada em um coldre, no corpo, e não em bolsas, que podem ser perdidas, roubadas e que não permitem rápido acesso à arma. Pior ainda faz quem a leva no veículo.

Além da comodidade no porte da arma, um coldre de primeira linha a protege do desgaste e da ferrugem causada pelo suor do corpo.

Pode não parecer importante, à primeira vista, a necessidade de se fazer uma escolha inteligente e bem pensada na compra de um coldre. E, se você não pretende portar sua arma diariamente - e sim deixá-la guardada em casa, dentro de um coldre selecionado - talvez nunca venha a perceber a diferença entre um de boa qualidade e um medíocre. Mas se portar sua arma diariamente como é o caso de um policial ativo, breve poderá perceber como é importante fazer a escolha certa na hora de comprar seu coldre.

Coldres são fabricados, basicamente, em dois tipos de materiais: couro e nylon.

Couro e nylon

Tradicionalmente, todo bom coldre tem sido fabricado em couro. Alguns fabricantes mais sofisticados, como o inglês Andy Arratoonian, chegam a usar até couro de cavalo, que segundo ele, é mais resistente e possui maior durabilidade que o bovino.

Coldres de couro podem ser feitos forrados ou não. Os modelos forrados com flanelas ou qualquer material semelhante tendem a absorver a umidade do ar e transmiti-la à arma, enferrujando-a, por isso não são os mais recomendáveis.

Coldres de nylon começaram a ser fabricados cerca de dez anos atrás e têm tido boa aceitação. São geralmente mais volumosos e tendem a perder a forma mais rapidamente que os de couro.

Coldres de nylon podem ser uma boa opção no que concerne a conforto de porte. São macios e leves mas, para os mais tradicionalistas, o couro será sempre a primeira escolha.

Existem outras espécies de coldres, feitos com materiais alternativos, como o plástico. Esse tipo de coldre comumente é fabricado para uma determinada arma, uma vez que se adapta perfeitamente a ela e a mais nenhuma. É o caso do coldre da pistola semi-automática Glock, de fabricação austríaca. Fabricado com base nos coldres utilizados para o Tiro Prático, ele agasalha a arma como uma luva, fazendo-a encaixar-se perfeitamente. Mas esse tipo de coldre não pode ser comprado por qualquer pessoa, pois para ser utilizado, o comprador deverá possuir uma Glock.

Segurança ou rapidez ?

Essa é uma questão muito difícil de ser respondida rapidamente mas, considerando tudo, o coldre deve, principalmente, ser seguro.

É grande o número de policiais que são abatidos com suas próprias armas.

Um coldre para ser seguro não precisa ser obrigatoriamente de saque lento. Certos modelos podem ter suas presilhas liberadas rapidamente com o dedo polegar da mão que empunha a arma. O que deve ser evitado são aqueles coldres de caçador, que detêm a arma por meio de uma longa presilha, cujo botão de pressão fica localizado embaixo do coldre, e não sobre o cão da arma, onde poderia ser destravado com o polegar.

Coldres axilares e seu uso no serviço policial

Os axilares, ou de ombro, apesar de serem os modelos mais usados pelos policiais do cinema, não são muito utilizados por policiais do Brasil. Talvez devido ao nosso clima tropical, que não permite o uso constante de casacos.

Axilares são, como o próprio nome já diz, usados pendurados sobre os ombros, de forma a manter a arma embaixo das axilas. Podem ser do tipo convencional, que mantém a arma com o cano para baixo, do tipo que a mantém na posição horizontal, ou do tipo que segura a arma com o cano para cima e o cabo para baixo. Os de estilo horizontal são mais adequados para armas pequenas ou médias, já que um cano longo poderia sobressair-se nas costas, sob o casaco. Os coldres de ombro que mantêm a arma de "ponta cabeça", com o cabo para baixo e o cano apontado para cima, são um tanto quanto perigosos, pois um disparo acidental no momento do saque com certeza faria o projétil atravessar o ombro do portador.

Axilar Axilar
Coldres axilares, se forem usados para o porte de armas pequenas podem ser fabricados de couro muito fino e macio, pois o pequeno peso desse tipo de arma permite isso. Dessa forma, são surpreendentemente confortáveis.

Para armas grandes, de cano longo, o material precisa ser mais resistente e se não for bem feito seu uso se torna insuportável. Em pouco tempo, começam a machucar a nuca e fazem pressão embaixo das axilas. Mas os de boa qualidade podem ser o único meio recomendável de se portar um revólver grande, de forma dissimulada e confortável.

Coldres de ombro, que não são propriamente axilares, já que a arma fica sobre o peito, têm sido utilizados por grupos de elite dos EUA. Nesse caso, já que estes grupos atuam de forma ostensiva, a preocupação não é dissimular a arma e sim portá-la de forma a não atrapalhar os intensos esforços físicos que os membros desses grupos são obrigados a fazer, tais como: escalar paredes, descer de helicópteros em vôo... e ainda assim manter a arma perto da mão, protegida e permitindo seu fácil acesso. Considerando tudo, parece-nos que esse modelo é o melhor para esse tipo em particular de atividade policial.

Coldres de cintura
São os mais usados e conhecidos. Permitem uma grande variedade de opção: por dentro das calças, "panquecas", saque cruzado, nas costas etc., mas podem ser classificados em duas categorias, como todos os outros tipos, aliás: ostensivos e dissimulados.

Ostensivos são facilmente definíveis e são usados por todo policial que não está atuando de forma em que existe necessidade de permanecer incógnito. Não só policiais militares fardados usam esses coldres, mas policiais civis e federais que estão caracterizados com bonés e coletes que os identificam como tal fazem largo uso de coldres de porte ostensivo.

Cintura
Coldres de uso dissimulado são mais difíceis de serem definidos, pois o que pode ser facilmente escondido no corpo de um homem de grande estatura, pode ser óbvio para uma pessoa pequena. Outra variável que influi muito é o tipo de roupa usada pelo portador. Roupas justas não escondem a arma como as roupas mais folgadas e o uso de casacos.

Coldres de cintura usados por dentro das calças são os mais usados por policiais que procuram o porte dissimulado. Colocados por dentro das calças, tanto sobre o apêndice, quanto sobre os rins, permitem o melhor compromisso entre a dissimulação de porte e a rapidez do saque.

O estilo "panqueca" é bastante prático e funcional. A arma é mantida alta na cintura e pode ser facilmente coberta por um sueter ou blusa. Como a arma é mantida alta, se ela não possuir um cano extremamente longo, nada vai sobressair sobre a roupa. Até uma camiseta larga pode dissimular sem problemas uma arma portada em um coldre "panqueca". Os "panquecas" exigem o uso de cintos largos, de couro forte e duro, para serem mantidos firmemente no lugar, sem deixar que a arma fique nadando na cintura, mudando de posição a cada movimento do corpo. Panqueca
Coldres de saque cruzado são condenados para o uso policial por alguns dos grandes instrutores mundiais, entre eles, Bill Jordan, que os acha extremamente perigosos, pois esses coldres mantêm a arma do lado esquerdo do corpo (para os destros), com o cabo voltado para frente, sendo um convite para que o antagonista de quem use um deles agarre a arma e a volte contra seu portador. Mesmo os "saque cruzados" que permitem o uso mais à frente do corpo, sobre a barriga, não são tão seguros quanto os modelos de coldres que mantêm o cabo da arma voltado para trás.

A única vantagem dos coldres de saque cruzado se manifesta nas ocasiões em que o atirador deve sacar sua arma quando se encontra sentado em um veículo; aí eles são imbatíveis em rapidez.

Cruzado
Coldres especiais
Forças especiais, equipamentos especiais, essa é a norma. Além do já mencionado coldre de ombro, que mantém a arma sobre o peito, existe um outro modelo que parece estar ganhando as atenções dos membros das referidas forças policiais de elite.

Trata-se de um modelo que mantém a arma presa às coxas, ao invés de na cintura. Esses coldres são sempre fabricados em nylon e são presos à cintura por uma correia que se estende até a coxa.

Coxa
Seja qual for o tipo de coldre selecionado, axilar, de cintura ou perna, é importante, por uma questão de segurança, que ele cubra o gatilho.

Coldres de canela têm sido muito usados no Brasil, não só pela polícia, mas também por todos que por qualquer motivo andam armados. São confortáveis e permitem uma boa dissimulação. Mas o termo "confortável", nesse caso, está sujeito a algumas variantes, como por exemplo certas atividades físicas, como correr, pular obstáculos etc, uma vez que o cabo da arma poderá ficar debatendo-se contra a canela do portador, ocasionando doloridos hematomas.Canela
Muitas vezes, o atirador não suficientemente treinado, ao meter a mão na arma rapidamente, pode colocar o dedo no gatilho e dispará-la acidentalmente até mesmo antes dela deixar seu coldre. Se o coldre mantiver a guarda do gatilho coberta, esse tipo de acidente pode ser evitado, pois o dedo só vai contactar o gatilho quando a arma estiver fora do coldre.

O treinamento de sacar a arma deve ser conduzido, a princípio, com o atirador procurando executar seus movimentos como em filme de câmera lenta. Depois, quando os movimentos já estiverem condicionados, a velocidade se torna uma conseqüência natural.