Revólveres


De acordo com as definições que encontramos em dicionários, revólver é uma arma de fogo portátil, com várias câmaras num cilindro giratório, podendo dar tantos tiros quanto as cargas que contém esse cilindro. O cano dessa arma possui em seu interior pequenos sulcos escavados, conhecidos por raias, em círculos, que imprimem um movimento rotativo ao projétil, fazendo com que esse tenha maior alcance e precisão.

É o mais comum e tradicional tipo de arma utilizado no serviço policial. Porém, atualmente, com a crescente onda de crimes organizados, crimes violentos como tráfico de drogas e seqüestros, essas armas vêm sendo substituídas pela pistolas semi-automáticas, por possuírem maior capacidade de tiro, substituição que teve início com os grupos policiais especiais dos EUA, como a SWAT ("Special Weapons And Tatics"). Trata-se de um movimento que cresce a cada dia, sendo certo que em um futuro não distante o antigo revólver não estará mais no páreo.
Armas

O primeiro revólver de que se tem notícia foi patenteado pelo Coronel Samuel Colt em 1836, tendo sido um enorme avanço para a época, uma vez que aparecera como uma arma curta realmente prática, em comparação com as garruchas de se carregar pela boca. Era um revólver que tinha de ser municiado câmara por câmara com pólvora (Pólvora Negra), projétil e espoleta.

Com o surgimento dos cartuchos metálicos, em 1873, surgiu o revólver mais famoso da época e que, ainda hoje, desperta enorme fascínio nos amantes de armas de todo o mundo. Era o famoso Colt de ação simples da cavalaria norte-americana, mais conhecido como "Peacemaker" (Pacificador), de calibre 45. Essa arma teve grande influência na colonização do Oeste, dando origem a uma frase célebre: "Deus fez os homens iguais, o coronel Colt tornou-os diferentes". O municiamento era extremamente lento, sendo feito por uma tampinha aberta na armação, permitindo que fosse trocada apenas uma cápsula por vez. A arma operava por ação simples, sendo necessário que o atirador a engatilhasse antes do disparo, a cada disparo era necessário um novo engatilhamento.
Peacemaker
A Smith&Wesson, fundada em 1854, era a fábrica que fazia frente aos revólveres Colt, sendo seu único concorrente na América. Seus revólveres, os .44 American e .44 Russian tinham boa qualidade e eram fabricados no poderoso calibre .44, porém não tiveram aceitação tão grande quanto os Colts entre os "cowboys". Eram armas de escanhoar, para serem municiadas tinham que ter seu cano e tambor basculados para baixo, sendo que assim expeliam todos os cartuchos de uma só vez, vazios ou não (municiamento extremamente difícil para quem está à cavalo). Tal característica também era encontrada nos revólveres ingleses da época, o que tornou os Colts uma unanimidade.

Em 1899 a Smith&Wesson lançou o primeiro revólver de ação dupla e tambor basculante, modelo que foi copiado por quase todas as fábricas e que deu origem ao revólver tal como conhecemos hoje. Era o modelo que ficou mundialmente famoso como "Militar-Policial". O tambor basculante propiciava um remuniciamento rápido de um, dois ou todos os cartuchos deflagrados, já que saia para o lado de sua armação.

De lá para cá quase nada mudou, exceto por novas empunhaduras, miras ajustáveis, diversos calibres e outras inovações que só serviram como melhoramentos adicionais, em nada alterando o desenho básico do revólver Smith&Wesson Militar-Policial.

Classificação dos revólveres

(foram excluídos os mini-revólveres)

A classificação dos revólveres aqui disposta foi feita de acordo com uma escala criada pela Smith&Wesson que utilizou as letras "J", "K", "L" e "N", baseada no tamanho do chassi da arma (o menor é o de letra "J").

1) Revólveres Pequenos

Deixamos de lado os revólveres de calibre inferior ao .32 por ser este o mínimo a ser aceito nos meios policiais (mínimo do mínimo).

Os revólveres pequenos são aqueles que têm um cano de 2 a 3 polegadas e geralmente um tambor com capacidade para 5 cartuchos; geralmente, porque existem os pequenos com tambor para 6 cartuchos.

Por sua portabilidade esses revólveres são considerados excepcionais back-up guns (armas de apoio ou segundas armas), é óbvio, dependendo do calibre a ser adotado. Podem ter sua performance aumentada se quem os usar escolher a munição adequada.

São armas que não possuem precisão de disparo, sendo assim recomendadas para combates em curtas distâncias, comumente corpo a corpo; uma vez que possuem um cano extremamente curto, não permitem que o projétil alcance um grande velocidade. Faltam-lhe, portanto, precisão e velocidade devido às raias internas do cano serem de pequena dimensão.

Dotadas de tais caraterísticas, a munição aconselhável para esse tipo de armas é a .38 Special canto-vivo de baixa velocidade (ver Tipos de Munição). Também podem ser utilizadas, com bons resultados, as munições de tipo Hydra-Shock, Glaser e semi-canto-vivo. Além do calibre .38 Special, encontramos também revólveres pequenos de calibre .357 Magnum, um pequeno gigante onde a potência supera qualquer debilidade física da arma.
.38 Special
Indiscutivelmente a grande e inexorável vantagem de se carregar um arma dessas diz respeito à portabilidade, podendo inclusive ser portadas em coldres de canela, de fácil dissimulação.

A maior desvantagem dos revólveres pequenos está no impacto psicológico que eles causam. Dificilmente um policial armado apenas com uma arma dessas fará uma detenção sem oposição. Desvantagem ? Para quem ?

2) Revólveres Médios

Esses revólveres são os que têm o tambor com capacidade para 6 cartuchos e cano de 4 polegadas. São os mais usados e apropriados para o serviço policial.

Existem revólveres com cano de 6 polegadas que possuem o chassi com as mesmas dimensões dos de 4 polegadas. Não são classificados como médios, apesar do mesmo tamanho de chassi, porque o bom senso e a visão não nos permite tal classificação. Ora, um revólver com cano de 6 polegadas não pode ser classificado, pelo tamanho, como um de 4 polegadas, a diferença é aparente.

Como são os mais utilizados em serviço policial, o calibre adequado para esses revólveres é o .357 Magnum, um calibre altamente eficiente que aumenta as chances de sobrevivência de quem o usa. Revólveres de calibre .357 Magnum têm enorme vantagem, além da potência, pois podem disparar sem qualquer restrição todos os tipos de munição .38 Special, .38 Special+P e .38 Special+P+, tornando-se uma arma extremamente versátil. Outra vantagem desse calibre é que existem variados tipos de munições, cada qual para um determinado fim, p. ex., munição ponta oca de alta velocidade, ou Glaser, para uso em áreas urbanas (expansiva e fragmentária) e munição Black Talon de Teflon para uso em perseguições a automóveis (perfurante).
.357 Magnum

3) Revólveres Grandes

Todo e qualquer revólver, mesmo os de chassi médio, que tenha o cano de 6 polegadas ou mais deve ser considerado grande para o uso policial. Da mesma forma os verdadeiramente grandes, como os .41 e .44 Magnum, revólveres que não têm uma grande aceitação no meio policial, pois possuem forte recuo e estampido, tornando difícil o seu manejo.

São revólveres muito grandes para serem portados com conforto, por isso pouco utilizados por policiais.

Porém são armas que possuem vantagens, como a precisão e alcance do disparo, devido a maior dimensão das raias internas do cano e a distância entre alça e massa de mira, sendo que o alinhamento entre as miras em um revólver com cano de 6 polegadas permite ao atirador a certeza de atingir certos alvos os quais com revólveres menores não atingiria.

O calibre adequado não poderia ser diferente, .357 Magnum, por tudo o que já foi dito no tópico anterior e porque não faz sentido algum carregar um revólver de cano longo se ele não puder disparar, em caso de necessidade, munições de maior penetração e alcance.

São armas que por suas características devem ser utilizadas apenas em situações especiais e não como arma diária.

Técnicas de combate com revólver


Como com o revólver estamos limitados a apenas seis disparos, é importante fazê-los valer. Se for necessário o remuniciamento em uma troca de tiros é melhor fazê-lo por trás de algum obstáculo e fazendo uso de "speed-loaders", que são pequenos aparelhos que permitem a colocação dos seis cartuchos de uma só vez no tambor.

Talvez o momento mais crítico para se remuniciar um revólver seja o de tirar as cápsulas deflagradas do tambor. Isso deve ser feito corretamente, pois há a possibilidade de uma ou duas dessas cápsulas entrarem embaixo da estrela do extrator, o que torna o remuniciamento lento e trabalhoso. Para evitar isso, devemos virar a boca do cano para cima, abrir o tambor e fazer com que as cápsulas sejam ejetadas com um movimento rápido e forte com a mão esquerda sobre o extrator.

Existem instrutores que afirmam ser melhor não disparar todos os seis cartuchos de uma só vez em meio a um tiroteio, mas sim remuniciar o revólver a cada dois disparos efetuados. Isto é fácil desde que se esteja protegido por uma sólida cobertura. Após haver disparado dois tiros, vire a boca do cano para baixo e aperte um pouco o extrator, isso fará com que as cápsulas deflagradas se sobressaiam sobre as outras, porque quando você cessar a pressão sobre o extrator os cartuchos ainda cheios voltarão a descansar contra o tambor, devido ao peso de seus projéteis, e os dois deflagrados tendem a permanecer meio extraídos, o que facilita arrancá-los do tambor e jogá-los fora.

Quem usa um revólver, em um mundo que é cada vez mais das pistolas semi-automáticas, tem a obrigação de carregar consigo alguns "speed-loaders" carregados, se quiser aumentar suas chances de sobrevivência. Só assim o revólver terá suas possibilidades como arma de combate ampliadas.