C  A  S  T  E  L  O      D  A

Contos sadomasoquistas


O Castigo de Roberto

                                                                                                                           – por Rainha Márcia

 
 - Suba já para nosso quarto e me espere com as calças abaixadas. Quero você ajoelhado e olhando para a  parede!
Elisa sentiu um estranho calafrio percorrer seu corpo enquanto ordenava a Roberto,
seu marido, que se 
preparasse para receber seu primeiro castigo. Casados há três anos, ele dera inúmeras amostras do quanto um homem crescido pode se comportar como um garotinho malcriado: bebia até tarde com os amigos, não se portava adequadamente com ela em público, enfim, embora atencioso, sua falta de disciplina às vezes realmente a tirava do sério.
Mas, desta vez, ele havia ultrapassado todos os limites. 
Sem qualquer justificativa, deixou-a esperando 
por mais de uma hora e meia após o trabalho apenas para sair com alguns colegas do escritório.
Pior: justamente quando haviam combinado ir ao restaurante para comemorar o aniversário de casamento. Lívida de raiva, Elisa fez Roberto levá-la para casa. Chegando lá, ele ainda tentou se desculpar, mas ela o deteve:
- Roberto, o que você fez comigo esta tarde, aliás, ESTA NOITE, é imperdoável! 
Esta data realmente ERA 
importante para mim, mas parece que, para você, eu importo menos que seus amigos. Como posso manter um casamento com um homem que insiste em se comportar como um garotinho?
Sua voz era dura, ríspida. Roberto começara a compreender a gravidade da situação,
e implorou por outra 
chance. No auge do desespero, disse que estava pronto a aceitar qualquer castigo que ela impusesse, mas que, por favor, ela o desculpasse.
"Qualquer castigo" - pensou Elisa. De repente, ela se deu conta de que talvez
aquela fosse a chance de 
dar um rumo diferente a seu casamento. Roberto estava realmente sendo sincero. "E se eu aproveitar para dar-lhe a lição que ele tanto precisa"? Mal pensou, tão logo agiu. Voltando-se repentinamente para Roberto, ela falou, autoritária:
- Pois muito bem! Mas lembre-se, foi você quem pediu. Você vai ter de submeter-se 
inteiramente a mim e 
aceitar qualquer castigo, por mais doloroso ou humilhante que seja - e acredite, vai ser!! Caso contrário, nosso casamento termina aqui mesmo.
Sem saber o que dizer, Roberto apenas balançou a cabeça. Elisa enfureceu-se ainda mais.
- Estou esperando, Roberto. Quero ouvir SIM ou NÃO!!
- Sim...
- Sim, SENHORA! É hora de começar a mostrar algum respeito, mocinho.
E assim ele respondeu. E, sob o comando dela, acrescentou tudo que ela queria ouvir: que ele não passava de um garoto insolente, e que estava pronto para ser tratado como tal.
E agora, após mandá-lo para o quarto onde passaram os últimos três anos, Elisa sentia que algo 
estava prestes a mudar - para melhor. 
De algum modo, compreendia que tudo que ele necessitava era de um 
castigo exemplar, algo que o fizesse refletir sobre a ofensa... Enfim, uma "surra de deixar na salmoura", como dizia sua mãe. 
Mas, como fazê-lo e ter certeza de que a mensagem havia sido entendida? 
Uma súbita inspiração a acometeu. Indo à cozinha, abriu uma das gavetas do armário, 
de onde tirou uma 
espátula de madeira, com cabo anatômico e a extremidade retangular, com seis furos paralelos - ironicamente, um presente de sua sogra. "Se ela soubesse o quanto seria útil...", 
Elisa pensou, com um ligeiro sorriso.
Antes de subir ao quarto, passou pelo banheiro, onde colocou um baby-doll e um robe pretos que achou mais adequados à ocasião. Chegando ao quarto, achou Roberto na posição ordenada, com seu bumbum quase branco à mostra.
"Viu só como é desagradável esperar? Agora venha aqui e deite-se no meu colo",
comandou. "Você me 
desrespeitou pela última vez, e agora vai ter o que merece".
Roberto se colocou em suas pernas, com o 
traseiro na posição. 
Imediatamente, Elisa começou a bater. A espátula se movia de uma a outra nádega, 
às vezes até três vezes 
no mesmo lugar, e começou a tingir o traseiro de seu marido com uma tonalidade no início rosada, depois mais e mais avermelhada - pontuada por lindas bolinhas claras, deixadas pelos furos. Roberto chorava e gemia, e a certa altura, não resistindo, tentou esfregar com a mão para aliviar a dor. No mesmo instante, Elisa agarrou seu pulso com firmeza surpreendente até para ela, e, virando a palma para cima, desferiu sete puxadíssimos golpes que fizeram a mão de Roberto inchar quase que imediatamente, enquanto ele chorava ainda mais alto.
"Não tente isso novamente", ordenou, enquanto a espátula prosseguia em seu balé. Roberto apanhou por mais cinco minutos, ao final dos quais seu traseiro era uma massa avermelhada e quente.
"Roberto, agora quero dar-lhe algo em que realmente pensar. Você me fez esperar uma hora e meia feito uma palhaça. Uma hora e meia são noventa minutos, e agora você vai ter de contar uma palmada REALMENTE forte com a espátula por cada minuto que perdi. 
E não ouse errar, ou eu começo tudo de novo. Entendeu"?
Ele fez que sim, e ela começou. "UM... DOIS.... aiiiii... TRÊS...". Roberto contava, 
fazendo força para 
manter a compostura, mas estava difícil. Seu traseiro ardia terrivelmente por causa da 
primeira surra, e cada 
novo golpe destilava fogo em sua pele. Depois de vinte, engasgou. "VINTE E DUAS...".
- Não, Roberto, foram  vinte e uma. Sinto muito, mas você ouviu as regras. 
Vamos lá, quero ouvir de novo - 
DESDE A PRIMEIRA.
Sem poder contestar, recomeçou a contagem. As lágrimas agora desciam pelo seu rosto 
sem nenhum pudor. 
Contou todas as nove dezenas, uma a uma. Terminada a surra, mal podia acreditar em como doía... e em como se sentia estranhamente leve, mais unido a sua esposa - 
sentimento este compartilhado por Elisa.
"Agora você está indo muito bem! Mas espero que não se iluda que vá se livrar com tanta facilidade. Ainda  falta uma coisinha para terminar de pô-lo no seu lugar".
Elisa ordenou que Roberto fosse até a cozinha, com as calças abaixadas, como estava, e voltasse com dez  grãos de feijão. Ele obedeceu.
"Roberto" - prosseguiu Elisa - "vou dar-lhe agora uma lição de humildade". 
Colocou os dez grãos de feijão 
num canto do quarto e virando-se para o atônito marido, disse-lhe o que fazer.
"Você terá cinco minutos, nem um segundo a mais, para empurrar cada um desses grãos até o outro lado do  quarto, só com a ponta do seu nariz esfregando no chão. 
E vai levar mais cinco golpes da espátula para cada grão que sobrar, além de passar meia hora ajoelhado sobre eles. Se conseguir levar todos, vai ficar ajoelhado só no chão liso".
Elisa divertiu-se ao ver seu outrora insolente marido ser docemente humilhado enquanto tentava, desesperadamente, cumprir sua tarefa. Ela ria muito, zombando dele o tempo todo. A certa altura, ela lembrou-se de pegar a máquina e bater uma foto.
- Mas...
- Quieto! Você tem menos de três minutos, é melhor aproveitar.
Roberto bem que tentou aproveitar, mas conseguiu levar apenas três grãos, e parou na metade do quarto  feijão.
"Muito bem, vou deixar passar esse. São 'apenas' mais trinta palmadas".
E ali mesmo, de quatro, como estava, Roberto se viu contando novamente. 
Somava-se agora à dor em seu 
traseiro, a ardência nos joelhos e o nariz levemente esfolado. 
Após a trigésima, Elisa juntou os seis grãos, 
separou-se formando dois pequenos triângulos com três feijões cada, e fez 
Roberto se ajoelhar sobre eles.
"Nunca pensei em passar um aniversário tão inesquecível - acho que vamos iniciar 
uma nova tradição 
pelos próximos anos". 
Passada a meia hora, Roberto teve permissão para sair do castigo. 
Mal o fez, caiu aos pés de sua rainha, 
perguntando se esta o aceitava.
"Sim. Mas, veja bem, eu tenho uma linda foto sua agora, e a menos que você queira 
que seus colegas a 
vejam, eu vou querê-lo bem comportado, com horários e hábitos regulados por mim". 
"Senão, já viu do que sou capaz".
Roberto aceitou, semi-hipnotizado pelo magnetismo de Elisa. Começou a beijar seus pés, acariciando-a ainda mais apaixonadamente que na lua-de-mel três anos atrás. 
Foi o prelúdio da primeira de  uma série de maravilhosas noites de paixão e submissão, nas quais Elisa revelou-se uma insuspeita dominadora nata, 
e Roberto entregou-se de corpo e alma a sua Senhora.
 

Rainha Márcia.
 
 

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