ARISTÓTELES



Viveu de 384 a 322 a.C. Foi discípulo de Platão, frequentando a Academia por mais de vinte anos.

Inicialmente, concordava com o mestre; depois, passou a divergir e a construir o seu próprio pensamento.

Foi professor de Alexandre Magno, da Macedônia.

Abriu sua própria escola – o Liceu – dedicado às ciências naturais.

Escreveu sobre todos os assuntos conhecidos: foi a última enciclopédia unipessoal.

Fez a classificação científica de animais e plantas, que perdurou durante 2000 anos.

Sua Lógica (Órganon) é considerada perfeita; compõe-se de cinco volumes.

Outras obras importantes: Metafísica – 14 volumes, Fisica – 8 vol, Ética – 10 vol, Política – 8 vol, Sobre a Alma – 3 vol.



LÓGICA



Estudo sistemático dos conceitos (união, separação, definição, divisão e produção de conceitos novos).

Todos os conceitos ou idéias se organizam em dez grupos, chamados de 'categorias', que são:

1. substância, 2. qualidade, 3. quantidade, 4. ação, 5. paixão, 6. relação, 7. tempo, 8. lugar, 9. posição, 10. hábito.

Todos os conceitos têm compreensão (características) e extensão (aplicabilidade) em grau inversamente proporcional.

Todos os conceitos têm tb predicabilidade, ou seja, capacidade de atribuição, que se distingue em quatro modos (predicáveis):

  1. gênero – elemento essencial não determinante;

  2. diferença específica – elemento essencial determinante;

  3. acidente próprio – elemento não essencial mas inerente;

  4. acidente simples – elemento não essencial e casual.

A aquisição de novos conceitos faz-se de dois modos:

  1. pelo raciocínio silogístico (silogismo) – de duas afirmações dadas, conclui-se necessariamente uma terceira;

  2. por indução – reunião de observações simples acerca do mesmo fato para concluir uma afirmação de caráter geral.



METAFÍSICA



É a filosofia considerada em si mesma, o estudo do ser enquanto tal.

A palavra 'metafísica' foi criada casualmente por Andrônico de Rodes, ao classificar a obra completa de Aristóteles em: lógica, física metafisica, moral e política.

A metafísica estuda as causas primeiras e princípios primeiros das coisas. Estes são quatro:

  1. material – substância ou essência;

  2. formal – veículo ou substrato;

  3. eficiente – fonte do movimento;

  4. final – o pelo que e o para que, em busca do bem.

Não é um saber prático, mas teorético. Seu objetivo é unicamente a busca da verdade.

Pode ser chamada 'ciência divina' de duas maneiras: a) porque trata de coisas divinas; b) porque é possuída em grau supremo somente por Deus.

Faz-se distinção entre metafísica, física e matemática, a partir da distinção do ser, do seguinte modo.





SER

MÓVEL (mutável)

IMÓVEL (imutável)




FISICA

Material

Imaterial



MATEMÁTICA

METAFÍSICA

A metafísica é filosofia primeira e teologia.



A CRÍTICA DO CONHECIMENTO



Antes de iniciar o estudo da metafísica, é necessário fazer a crítica do conhecimento, ou seja, mostrar que o conhecimento tem valor objetivo, ao menos em relação a algumas verdades fundamentais.

Prioridade dentre as verdades fundamentais: o princípio da não-contradição. (= “é impossivel que uma coisa possa ser e não ser ao mesno tempo, considerada sob o mesmo ponto de vista”).

Este princípio é indemonstrável. Quem o rejeita cai ou no 'sensualismo' (conhecimento unicamente pelos sentidos – Protágoras) ou no dinamismo (conhecimento das coisas em transformação – Heráclito).

Não se pode dizer que todas as afirmações são verdadeiras nem que todas as afirmações são falsas, porque ambas as posições são contraditórias.

O princípio da não-contradição é a base do pensar, o fundamento último de todo o saber e de toda a realidade.



A ESSÊNCIA DAS COISAS



É a essência transcendente (=Platão) ou imanente (=pré-socráticos)?

Na teoria de Platão, as idéias são réplicas inúteis do mundo sensível. Além disso, como pode a substância de uma coisa estar fora dela?

Estando fora, elas não explicam nem o conhecimento nem o vir-a-ser das coisas. Por isso, a essência deve ser imanente.



A REALIDADE DAS COISAS – MATÉRIA E FORMA



A realidade é constituída de substâncias e acidentes. A substância é anterior ao acidente nos diversos aspectos: lógico, epistemológico, histórico e ontológico.

É o primeiro conceito implicado no estudo das categorias, pois todas as demais dependem dela.

Há três tipos de substância: materiais corruptíveis, materiais incorruptíveis, imateriais.

As substâncias materiais corruptíveis são a síntese de dois elementos separáveis: materia e forma.

O conceito de matéria se obtém pela análise da transformação substancial (o substrato que permanece após as mudanças), ou seja, do devir: “é evidente que alguma coisa daquilo que vem a ser já existia antes”, isto é, a matéria.

O conceito de forma obtém-se pela verificação daquilo que diferencia uma coisa da outra. É a razão pela qual a matéria se torna uma coisa determinada (substância). A forma é que determina porque uma matéria é isso e não aquilo.

Matéria e forma não podem existir separadamente, porque a sua desunião destrói a coisa. Essa obrigatoriedade é o sínolo (síntese - substância). Matéria e forma constituem todos os seres.

Em cada ser, a forma determina as características específicas e a matéria, a características individuais.



ATO E POTÊNCIA



Explicam o vir-a-ser das coisas. Aplicação extensiva das noções de matéria e forma.

Potência assemelha-se à matéria: propriedade indeterminada, passiva, capacidade de assumir qualquer determinação;

Ato assemelha-se à forma: propriedade determinada, finita, completa.

Ato e Potência são o resumo de tudo que acontece no universo. Obtém-se a partir da análise do vir-a-ser. Este só se torna possível se se admitir a potência.

Em Deus não há potência; Ele é ato perfeito, puro, motor imóvel.

Há dois tipos principais de ato:

  1. ação – energeia – mundo material;

  2. resultado – entelecheia – mundo inteligível.

O vir-a-ser é a transformação da potência em ato, enquanto se opera = movimento, ato imperfeito, ainda não concluído.

Há 4 espécies de vir-a-ser:

  1. mudança da própria substância (geração ou corrupção);

  2. mudança da qualidade (alteração);

  3. mudança da quantidade (aumento ou diminuição)

  4. mudança do lugar (translação).



DEUS, EXISTÊNCIA E NATUREZA



Ele mantém de pé todo o edifício; explicação para a origem do movimento (motor imóvel), das causas (causa primeira), do vir-a-ser (ato puro).

Provas da existência de Deus: 1. o devir, atestado pela experiência; 2. graus de perfeição; 3. ordem das coisas.

O modo da operação divina é pelo pensamento, ato simplicíssimo e único. Porém, Deus não cria o mundo, não cuida dele, não o conhece. Não pode ter nenhum contato com a matéria.



A FÍSICA



A principal característica da physis, segundo Aristóteles, é o movimento, o vir-a-ser = todos os seres da natureza estão sujeitos à geração e à corrupção. Este é o objeto de estudo da física aristotélica.

O conhecimento dos fenômenos físicos se obtém por indução, a partir da experiência. A explicação para o vir-a-ser das coisas naturais se dá pela aplicação da teoria do hilemorfismo (matéria-forma). O vir-a-ser consiste em passar, a matéria, de uma forma para outra.

O vir-a-ser ocorre no espaço e no tempo. Espaço é a distância entre os corpos e tempo é a medida do antes e do depois. Ambos são acidentes da substância.

São quatro as principais formas do devir:

a) quantitativo – crescimento ou diminuição;

b) qualitativo – alteração;

c) lugar – translação;

d) substancial – geração (início da coisa) e corrupção (fim).

O fundamento último do devir é a teoria do primeiro motor (motor imóvel).



A PSICOLOGIA



Aristóteles é considerado o fundador da psicologia enquanto estudo da natureza humana, suas disposição e inclinações, faculdades e operações, processos de conhecimento e apetites (desejos), sensação, memória, raciocínio, sono...

O homem é também constituído de matéria (corpo) e forma (alma). A íntima união entre eles não permite afirmar que a alma é preexistente. Ela constitui uma unidade substancial com o corpo.

A alma, como forma do corpo, proporciona a este os modos de ser e de agir. Todos os seres vivos têm uma alma, entendida esta como princípio de atividade autônoma. Porém, a alma humana é diferente e superior por causa da sua capacidade de pensar (racionalidade), uma vez que animais e plantas não pensam.

A alma humana é uma só, mas exerce três funções:

  1. vegetativa – conservação do corpo e da espécie, nutrição;

  2. sensitiva – sentidos (5 sentidos externos e 3 internos) e desejos (concupiscível e irascível);

  3. intelectiva – abstração (conceito), juízo e raciocínio (argumentação).

O conhecimento é produzido na alma, a partir das informações que lhe chegam pelos sentidos. A alma não traz conhecimentos preexistentes, é uma tabula rasa. Também não há reencarnação.

Pela função intelectiva, a alma trabalha com os dados fornecidos pelos sentidos e elabora os conceitos ou idéias universais (abstração). O intelecto divide-se em dois:

  1. ativo – processa os dados sensíveis, construindo as idéias;

  2. passivo – recolhe, organiza e conserva as idéias.

Aristóteles reconhece a imortalidade da alma, mas só de parte dela, provavelmente a que corresponde ao intelecto passivo. É uma questão que ele não deixa muito clara.



A ÉTICA



Enquanto ser racional, o bem do homem ou sua felicidade consiste na correta atuação da razão. A atuação perfeita da razão é a contemplação (teoria). Mas como o homem não é pura razão, é necessário harmonizar a contemplação com a satisfação das faculdades e dos sentidos. Ou seja, uma mistura dosada de prazer e racionalidade.

O meio para conseguir a felicidade é a prática da virtude. (ver definição de virtude – p. 102). Virtus in medio = evitar os extremos. A virtude implica ação da vontade e da razão.

Há dois grupos de virtudes: dianoéticas (5) – favorecem as faculdades intelectivas) e morais (4) – fazem o controle das paixões e desejos.

Destaca entre as virtudes a amizade: é tão importante que sem ela não se pode ter felicidade.



A POLÍTICA



Os homens se unem para formar a sociedade naturalmente, instintivamente (instinto gregário).

O Estado é uma criação da natureza humana e o homem é, por natureza, um animal político.

O objetivo da vida humana é a felicidade; o do Estado é facilitar a consecução da felicidade, através da promoção do bem comum.

Há formas de governo justas e injustas:

  1. justas – monarquia, aristocracia, república;

  2. injustas – tirania, oligarquia, democracia.

Defende a escravidão como necessária.



A ESTÉTICA



A arte se ocupa de algo que não faz parte nem da natureza nem da história = a beleza, algo que na natureza é sempre imperfeito.

É o prazer de ordem intelectual, não faz parte das atividades cognitivas e afetivas.

Há as artes instrumentais (tékne) e imitativas.

A arte tem função pedagógica e catártica (descarga da passionalidade, dos sofrimentos).


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