RODA DE CAPOEIRA
Elementos para compreender melhor os meandros da Capoeira.

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INSTRUMENTOS


imagem tirada de BahiaNet
http://www.morada.com

Conforme se trata de uma roda de capoeira Angola, ou Regional, também mudam e variam os instrumentos utilizados (bateria).
Mestre Bimba, que sempre tentou aperfeiçoar a capoeira, ao tentar torná-la mais popular decidiu retirar o atabaque da bateria de Regional, pois achava que as pessoas o associariam demasiado ao Candomblé, o que na altura era conotado como sendo algo baixo e primitivo. Assim a bateria de regional é composta somente por 2 pandeiros e por um berimbau.
Na roda de Angola, os instrumentos são mais, passando pelos essenciais berimbaus, o gunga, mais grave de todos, que marca o ritmo base, o médio que mantém o ritmo improvisando ocasionalmente, e o violinho, o berimbau solo que improvisa grandemente. O atabaque e dois berimbaus completam o essencial da bateria, embora muitas vezes esta seja complementada com outros instrumentos como o ganzá, o agogô, o reco-reco, etc.

RITUAIS

Ritualização da Luta
A capoeira, nomeadamente a capoeira angola, é uma ritualização de luta. Como muitos animais na natureza, os capoeiristas deglaiam-se, testam os seus limites, as suas forças, sem por isso comprometerem definitivamente a integridade física do colega/oponente. Esta atitude é mais forte no estilo de Angola, pois o estilo Regional é mais declarado e objectivo, enquanto a supremacia no jogo de Angola, é subtil, e só alguém que conheça o jogo se apercebe das nuances, na capoeira Regional, as coisas são mais explicitas. Isto levou a que a população em geral visse a Regional como sendo melhor que a Angola. Essa é uma discussão que perdura até hoje, mas que crêmos ser esteril, pois ambas abordam aspectos diferentes do jogo, é preciso saber dominar o maior número de aspectos, pois o capoeirista é um camaleão.

Saudações
A saudação aos mestres, donos-da-roda, e/ou antepassados é também muito comum na capoeira. A filosofia da capoeira veio de África, de povos em que se louvava o conhecimento adquirido através da experiência, assim os "velhos" eram considerados os tesouros vivos das populações, e tinham em si uma mais-valia. Nestas culturas é feito o culto aos antepassados, são eles os nossos intervenientes no reino dos mortos, além disso é também uma cultura animista, ou seja em que os elementos (ar, terra. água, rios, fogo, montanhas, céu, etc.) são personalizados, existe uma entidade, um deus que reje tais elementos. Assim, e como forma de homenagem e/ou como forma de pedido de ajuda, os capoeiristas saúdam o berimbau quqe é a materialização da capoeira e também de todos estes deuses (Orixás), antigos mestres, donos-da-roda, e antepassados.

O poder da roda
Desde antigamente que se conhece o poder do círculo, é uma forma que fascinou inúmeras civilizações, a sua simbologia de não ter princípio nem fim parece adequar-se à frase de Vicente Ferreira Pastinha: "(...) seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres.". Pastinha referia-se à capoeira, mas a capoeira é um círculo, todas as coisas voltam e rodam na capoeira, tudo volta à sua origem. Os próprios movimentos da capoeira são na sua maioria circulares, e reflectem essa filosofia do círculo. O círculo é também energia em movimento, e é por isso que os capoeiristas antes de entrar na roda somente circulam no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. É importante que o capoeira saiba isto, ele não pode ir contra as energias do Universo, ele aproveita a energia, ele movimenta-se sinergéticamente, colectando a energia dos participantes à medida que andam na volta ao mundo. É assim ser capoeira, aproveitar o momento e vogar na onda, não resistindo ao golpe, nem às cabeçadas da vida.

Apertando as mãos
O ritual de apertar as mãos na capoeira está relacionado com a realidade estanque da capoeira. Se por um lado aquilo que acontece na roda nos deve servir de aprendizado para a vida, por outro lado existe o círculo que também é uma barreira, de modo a que nada deve transpirar para fora da roda, especialmelmente conflitos e inimizades. A capoeira também era usada nos seus primórdios como instrumento de normalização social, ou seja, as disputas e conflitos eram resolvidos na roda de capoeira, e esses conflitos tinham que morrer na roda, assim, começa-se o jogo dando as mãos para demonstrar o respeito pela pessoa com quem vamos joga, e acaba-se o jogo de mãos dadas como símbolo de que o que se passou na roda não terá repercussões fora dela. A luta é dentro do círculo.


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